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400 Pessoas Removidas à Força de Prédio da CEDAE, em Santo Cristo

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Cerca de 400 pessoas foram removidas da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) em Santo Cristo na quarta-feira, 25 de março. Os ocupantes estavam morando no prédio há 15 dias.

De acordo com o Coletivo Carranca, algumas das 400 pessoas despejadas da CEDAE fizeram parte da ocupação de curta duração de 8 mil pessoas no prédio da Telerj/Oi na Zona Norte do Rio, que foi agressivamente desmantelada pela Polícia Militar em abril do ano passado. Ocupantes originários da Telerj/Oi vieram de uma míriade de comunidades que estão sofrendo com o aumento nos preços de aluguel como Mandela, Rato Molhado, Jacarezinho, Cosmos, Manguinhos, Duque de Caxias e Morro do Sampaio.

"Menos roubo, mais casa para todos". Foto: Katja Schilirò

Após remoções violentas em abril de 2014, os ocupantes tomaram caminhos diferentes, mas o Prefeito Eduardo Paes prometeu transformar o prédio da Telerj/Oi em moradia pública sob o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Enquanto isso, cerca de 250 pessoas foram abrigadas no ginásio da Igreja Católica Nossa Senhora do Loreto, próximo ao aeroporto internacional do Rio de Janeiro, enquanto esperam por um lugar para morar. Outros foram forçados a viver nas ruas ou com parentes, enquanto ainda outros receberam moradia popular ou aluguel social do governo.

Celia Regino pede por uma moradia.

No entanto, a maioria das pessoas que ocupavam o prédio da CEDAE em Santo Cristo vieram da favela chamada Bairro 13 na mesma área, da qual foram removidos em fevereiro do ano passado. O Coletivo Mariachi reportou que muitos dos ocupantes “estão há anos esperando por uma casa, com papéis assinados pela Prefeitura prometendo resolver o problema”. Uma das ocupantes, Célia Regino, alega estar na lista de espera por assistência de moradia pública há 10 anos. Ela enfatizou o fato de estar lutando por uma casa não para si, mas para o futuro de seus três sobrinhos e sobrinhas.

Outro ocupante, Welinson Michel Moreira da Costa, disse que ele e sua mulher e filhos foram morar no prédio da CEDAE para evitar entrar ainda mais em dívidas. “Eu paguei aluguel por um ano, mas é caro e a cada mês continua aumentando”, disse ele. Uma vez que sua família se mudou para o prédio da CEDAE ele começou a investir em sua própria casa. Ele gastou o dinheiro que normalmente usava para pagar aluguel para investir em materiais de construção para construir seu próprio “barraco”. De acordo com Welison, quando a polícia tomou conta do prédio da CEDAE eles prometeram escoltar os ocupantes até a Prefeitura para se registrarem no Minha Casa Minha Vida. Mas ao invés disso, a polícia usou a oportunidade para esvaziar o prédio, retirando seus pertences e barracas.

Ocupantes dormindo na Cinelândia. Foto: Katja Schilirò

Nesse ponto os ocupantes da CEDAE foram para a Prefeitura para pedir mais uma vez por moradia pública. Ao invés de permitirem sua volta ao prédio, a guarda municipal atacou-os com spray de pimenta e balas de borracha, de acordo com Welison. A multidão de manifestantes incluía crianças, idosos e mulheres grávidas.

Os ocupantes foram então para a Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores, um espaço que têm sido altamente vigiado pela polícia. O escritório da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro garantiu publicamente o direito dos manifestantes de ocupar a área. No entanto, relatos nas mídias sociais afirmam que a polícia tem tentado dispersar os ocupantes em múltiplas ocasiões. Os manifestantes originais da CEDAE têm se juntado a outras famílias desde então, buscando assistência de moradia.

“Faz uma semana que a gente está aqui, dormindo no sol e na chuva”, disse Eduardo Felipe Aparecido Cunha. Sua família tem ficado junto com aproximadamente outras 40 a noite na Igreja Universal situada próxima ao local. Ele espera que a ocupação leve a cidade a seguir com suas promessas e acrescente sua família ao MCMV. Quando perguntado o que queria ver acontecer, Wellison, de 18 anos, respondeu como outros manifestantes e disse: “Uma moradia… alguma coisa para nós”.

Eduardo Felipe Aparecido Cunha luta por moradia.

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