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Ameaça de Desabamento de Casas na Favela Pica-Pau Ignorada pelas Autoridades

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Carina dos Santos Domingos mora com sua filha e sua neta de dois anos em uma das principais ruas da favela Pica-Pau. Sua humilde casa foi construída no topo de um pequeno morro do lado da rua. A família dela é uma de várias do Pica-Pau que vivem em casas precárias com risco de desabamento, devido ao risco de uma tempestade forte resultar num deslizamento de terra.

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A favela, localizada em Cordovil na Zona Norte do Rio, historicamente tem sido negligenciada pela prefeitura. Entretanto, em 2011 ela foi selecionada para receber investimentos significativos através do elogiado Morar Carioca, um programa de urbanização das favelas cariocas. Porém, o programa foi abandonado por toda a cidade e os projetos prometidos não foram entregues no Pica-Pau.

A luta de Carina começou dois anos atrás, quando depois de uma forte chuva uma camada de terra do morro entre sua casa e a rua acabou desmoronando. Essa foi a primeira vez que Carina fez contato com a Subsecretaria de Defesa Civil do município. Autoridades foram até o local e confirmaram o perigo da situação: a casa de Carina estava literalmente na beira do colapso. As autoridades garantiram a ela que a prefeitura iria tomar as medidas necessárias para garantir sua segurança e a segurança da casa.

Durante os últimos dois anos, Carina entrou em contato repetidamente com a prefeitura, mas fora algumas visitas da Defesa Civil, nada foi feito. “Eles não resolvem nada”, disse ela.

Toda vez que ela liga para a Geo-Rio, lhe é dito para esperar até que alguém entre em contato. Mas ninguém retorna a ligação. Esse contínuo tratamento fez com que Carina entendesse como as autoridades do governo veem os moradores de comunidades como o Pica-Pau: depois de ligações recentes tanto para a Defesa Civil quanto para a Geo-Rio, ela disse: “Eu falei [com eles], sim, mas eles não me acham importante… Minha voz não importa nem um pouco para eles”.

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Carina trabalha com a entrega de jornais durante a noite, e não possui os recursos necessários para se mudar ou contratar um engenheiro para estabilizar a encosta. Desde o início dessas conversas dois anos atrás, ela não teve escolha a não ser confiar nas autoridades e esperar. Mas ela conta: “Sou mãe solteira, sozinha, trabalho à noite, minhas três filhas e minha neta ficam em casa enquanto trabalho. Não consigo trabalhar direito por minha família estar dentro de uma casa que pode cair a qualquer minuto”.

Ela acredita que tem sorte, pois de acordo com o técnico da Defesa Civil apenas uma parte da casa tem o risco de desabamento. Toda vez que chega uma chuva pesada, toda a família fica na parte “segura” da casa até que a chuva passe. Carina diz, “não consigo trabalhar direito, por saber que minha família está dentro de uma casa que pode cair a qualquer minuto”.

De tempos em tempos engenheiros e autoridades falam que os investimentos do Morar Carioca finalmente vão chegar na favela Pica-Pau, dando esperança aos moradores e depois tirando a mesma sem qualquer explicação. Recentemente, a prefeitura agendou um evento de lançamento do programa no Pica-Pau para 9 de abril. O evento foi cancelado no dia 8 de abril e ainda não foi reagendado.