Aconteceu no sábado, 17 de outubro, na Fundição Progresso, Lapa, Centro do Rio de Janeiro, o 3º Festival Favela Sustentável — Favela no Centro das Soluções Territoriais, reunindo 180 atividades em uma grande troca de conhecimentos e tecnologias sociais de 150 favelas*. Atuando desde 2017, a Rede Favela Sustentável (RFS), organizadora do evento, é hoje composta por 1200 integrantes de mais de 400 favelas. Além desta cobertura oficial do 3º Festival Favela Sustentável, publicamos também duas coberturas complementares, uma sobre protagonismo comunitário frente à crise climática e outra sobre atividades voltadas para água e direito dos rios.
Ao longo dos meses de organização coletiva do evento realizado pela Rede Favela Sustentável, nunca se imaginava o segundo turno histórico que estaria sacudindo o Brasil, e que neste dia haveriam os maiores atos pró-democracia das eleições na Baixada Fluminense. Também não se imaginavam as chuvas e ventania intensas da noite do dia 16 de outubro, que afetariam diretamente comunidades-base de vários protagonistas do evento.
Mesmo assim, em seu terceiro e maior evento aberto ao público, a Rede Favela Sustentável recebeu mais de 1300 pessoas de 331 localidades diferentes, num grande encontro de saberes, cultura, experiências e soluções. Com isso, o Festival Favela Sustentável se consolidou como espaço de troca e conexão entre quem transforma as favelas todos os dias, mostrando que as soluções para a construção de um futuro justo e sustentável brotam desses territórios. Esta foi a última edição no Centro: a proposta é que nas próximas edições o evento seja itinerante e circule pelas Zonas Norte, Oeste, Baixada Fluminense e além. Também estudam uma versão modular, que possa ser acoplada vindo a somar com outros eventos e festivais conhecidos pela cidade.
Thaysa Santos, artesã do Terra Afetiva/Seropédica, assessora de logística e integrante-ponte da Rede Favela Sustentável, fez uma fala de abertura, saudando os presentes e falando sobre alguns números desta edição.
“Sejam bem-vindos ao terceiro Festival Favela Sustentável, que neste ano carrega o tema Favela no Centro das Soluções Territoriais, um festival co-produzido por 167 coletivos, de 150 favelas da região metropolitana do Rio de Janeiro e outros estados. A gente está bem feliz com a programação, que conta com 180 atividades, com oficinas sustentáveis, com a nossa feira de economia solidária, com as apresentações culturais aqui no segundo andar. Vai ser um festival muito lindo e a gente está muito feliz porque é o terceiro grande festival e o último aqui na Fundição Progresso.” — Thaysa Santos
A abertura oficial do 3º Festival Favela Sustentável foi no palco, seguido por uma rica série de manifestações culturais. Veja o álbum acima.
Apresentações Culturais
As apresentações culturais foram comandadas por Eddi MC, mestre de cerimônias, que convidou o público para assistir à Companhia de Dança Juliana Coelho, de Cordovil: “Esse balé existe há 10 anos, tem meninas e meninos de 9 a 16 anos e vamos começar com essa apresentação linda de balé. O palco é de vocês!”

Bruno Aguilar, músico e coordenador do Rio de Música, projeto social em Jacarezinho e Manguinhos, apresentou uma oficina de percussão com material reciclável, a “Sonoridades Sustentáveis” no palco. Depois compartilhou suas reflexões do evento.
“Esse encontro é maravilhoso! Primeiro, essa troca, conheci aqui vários projetos que eu não conhecia. A lista das comunidades contempladas é um negócio impressionante. O Rio de Janeiro inteiro está aqui! Isso é maravilhoso para a gente poder trocar, se fortalecer enquanto projeto social, enquanto território, enquanto comunidade. E a sustentabilidade: eu vi que não fica só na fala, fica na prática também. Não tem plástico rolando aqui, essa tragédia que é o plástico no mundo.” — Bruno Aguilar
Durante o dia 11 apresentações culturais aconteceram no palco principal do 3º Festival Favela Sustentável: Mostra de Dança Infanto-Juvenil (Cia. de Dança Juliana Coelho/Cordovil); Espetáculo “Brasil Mostra sua Cara” (Instituto Cultural Dirce Galvão/Trupe Anima Circo/Vila Paciência e Favela do Aço); Coral do Instituto de Restauração Humana Vivarte (Rocinha e Maracanã); Música pela Paz (Atitude Social/Santa Marta); Apresentação da Dupla Robert & Santos (Sociedade de Poetas Leopoldinenses/Complexo da Penha); Cortejo Afoxé Ia Nguzu (Afoxé Maxambomba/Centro de Integração Social Inzo Ria Nzambi, CISIN/Nova Iguaçu); Sarau Diverso (Sarau Ciranda/Rocinha); Ballet Barreira sem Barreiras (Barreira do Vasco); Sonoridades Sustentáveis (Rio de Música/Jacarezinho e Manguinhos); Mostra Percussiva Estilizada do Ogã Tiago Ti Ogum (Ponto de Cultura Ofarére Cultural); e Show do Afro Orunmila (Mineira).
A feira de economia solidária uniu 65 barracas e estandes com diversos produtos, exposições e oficinas. Veja o álbum acima.
Feira de Economia Solidária
A feira de economia solidária da Rede Favela Sustentável, composta de 65 barracas de venda e estandes educativos, promoveu a troca de saberes, a comercialização de produtos e o intercâmbio de experiências entre artesãos, organizações e empreendedores ambientais locais.
Ana Virgínia Santos Silva, Dona Onça, artesã e designer de joias, moradora de Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, trouxe para a feira seu trabalho de reaproveitamento criativo de resíduos, se utilizando de papelão, esmalte vencido, garrafa PET, cápsula de café e filtro de café, entre outros.
“É a primeira vez que eu estou participando. Eu trouxe anéis e brincos feitos de garrafa pet, filtro de café. Trouxemos colares feitos de revista, folhas de revista e crochê. Nesse evento a gente tem a oportunidade de conhecer várias pessoas que têm a mesma visão da sustentabilidade. No meu caso, eu trabalho a sustentabilidade como geração de renda e também ofereço oficinas, dou aulas para dar a outras mulheres a oportunidade de gerar renda através do que ela tem em casa.” — Ana Virgínia Santos Silva

Daniel Puri, do CESAC/Aldeia Maracanã, além de uma barraca na feira apresentou uma roda de conversa intitulada “Experiências de Educação Socioambiental Indígena em Favela”.
“A gente é um coletivo que trabalha educação ambiental indígena, um coletivo indígena, no Parque Nova Maracá, favela ali em Tomás Coelho. Viemos hoje como feirantes e com a nossa roda de conversa. Temos arte de miçangas e sementes, pinturas e material de trançado. É importante estarmos aqui nesse evento principalmente porque bota a gente em contato com vários outros coletivos que trabalham da mesma forma, dentro dos seus territórios, com o intuito de fortalecer essas comunidades, seus coletivos, dentro da proposta da sustentabilidade.” — Daniel Puri
Participantes da Feira de Economia Solidária: Produtos Naturais e Artesanais (Terra Afetiva/Seropédica); “O Mar que Mora em Nós: Baía de Sepetiba” (Ecomuseu de Sepetiba); Pequena Diva Brechó (Ecomuseu de Sepetiba); OLOJÁ Mercado Sustentável (Instituto Terreiro Sustentável/Sepetiba); Exposição: A Rota do Rio Doce de Mariana ao Mar: O Mesmo Rio (Pedala Queimados); Produtos de Reaproveitamento (Pedala Queimados); Jovens, o Futuro é Seu (45GERJ Grupo Escoteiro/Olaria); Territórios Saudáveis e Sustentáveis: Maré e Manguinhos (Museu da Vida Fiocruz/COC); Oficina de Estêncil (Museu da Maré); Produtos do Museu da Maré (Complexo da Maré); Museu das Remoções (Vila Autódromo); Centro Etnoconhecimento Socioambiental Cauiré (CESAC/Aldeia Maracanã); Cultura e Sustentabilidade Leopoldinenses (Sociedade de Poetas Leopoldinenses e Parque Ary Barroso Livre/Penha); Mel, Biju de PET e Pipoca Gourmet (MNCR RJ/Maricá); Mulheres das Vargens (Casa de Cultura e Agroecologia, Arte, Cura, Aquilombart e Monica das Abayomis/Vargem Grande); Semijoias em Crochê e Búzios (Feira Agroecológica da UERJ e Movimento MPA Mangueira/Complexo do Lins); Sagradas Joias e Turbantes (Poder de Preta/UNDEKE/Complexo do Alemão); Trançando com Arte e Literatura (Poder de Preta e Centro Palmares); Vista-se de Informação e Respire Saúde: Tuberculose Tem Cura (Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas/Irajá); Tuberculose Zero (Instituto de Cidadania da Unidos da Tijuca); Soluções Sustentáveis e Territoriais (Movimento de Mulheres Maria Pimentel Marinho/Itacolomi); Artesanatos e Práticas Integrativas (Marias em Ação/Vila Kennedy); Produtos Fitoterápicos (Providência Agroecológica/Providência); Sabonetes e Banhos Energéticos (AYA Espaço de Saúde Integral/Cachambi); Sabão e Velas Sustentáveis (Instituto Recanto da Areinha/Rio das Pedras); Ana Crochê (Recanto da Areinha/Rio das Pedras); Comemora RDP: Ecobags, Chaveiros, Cangas e Suvenires (Recanto da Areinha e Viva Zona Oeste/Rio das Pedras); Desfile Eco Chic: O Sol Ilumina, a Mulher Transforma (Instituto Rio das Pedras/Rio das Pedras); Velas Ecológicas e Economia Circular (Ecolumier/Rocinha); Aproveitamento Integral dos Alimentos (Projeto Cozinha de Mãe/Rocinha); Bazar Comunitário Renovar (Cooperativa Transvida/Vila Cruzeiro); Artesanato em Fio de Malhas (Projeto 60Mais); Artesanatos do Comitê de Mulheres Comunidade Pantanal (Pantanal, Nova Iguaçu); Chaveiros e Brincos Artesanais (Comitê de Mulheres Comunidade Pantanal/Nova Iguaçu); Bolsas, Aventais, Mochilas e Sacos Sustentáveis (Comitê de Mulheres Comunidade Pantanal/Nova Iguaçu); Mulheres em Ação: Costura Criativa e Artesanal (Comitê de Mulheres/Comunidade Pantanal); Atitudes Sustentáveis Geram Renda (Dona Onça Eco Joias/Nova Iguaçu); Moda Consciente de Cria da Baixada (HLC e Arte da Graça/Nova Iguaçu); Sabão Artesanal Biodegradável com Óleo Reciclado (União Brasileira de Mulheres/Austin/Nova Iguaçu); Venda de Bolsas Artesanais e Saúde Preventiva (Movimento de Mulheres Vitória Régia); Confecção de Máscaras e Exposição de Acervos (Biblioteca Comunitária Jurema Gomes Baptista/Salgueiro); Oficina de Ponteira de Lápis Reduzindo o Impacto Ambiental (Edixe Acessórios e Laços Sociais/Campos Elíseos); Livraria Itinerante LiteraGonça e Sebo Itinerante DaLi (São Gonçalo); Cheiro da Terra, Raiz de Afeto e Essência & Saúde (Associação Mulheres da Parada/Parada São Jorge/São Gonçalo); Feira de Economia Solidária de São Gonçalo (Coruja/São Gonçalo); Rede Artes: Mãos que Transformam do Fórum das Mulheres Pretas (Centro de Estudos de Saúde do Projeto Papucaia/Cachoeiras de Macacu); Quem Recicla, Colhe! (Girassol Insumos e Serviços Agroecológicos/Mangueira); Cosméticos Capilar, Facial e Corporal Veganos e Artesanais (Ana Madeira/Mineiro Pau); Artesanatos dos Manguezais (APAR/Santa Lúcia/Magé); Artesanato Costura Alternativa (Vila Vintém); Ecobags (Projeto Costurando Ideias/Vidigal); Bolsas de Cida Vieira (Movimento de Mulheres do Parque Horácio Cordeiro Franco/Benfica); Cozinha Solidária Unidos no Bem Belford (Associação Galeria de Heróis/Furquim Mendes); Agro-Cultura (Fórmula Mágica da Paz/Barros Filho); Horta da Esperança (Grupo Esperança/Colônia Juliano Moreira); Ire (Coletiva Hortelã, Teia de Solidariedade da Zona Oeste e Feira da Roça de Vargem Grande); Feira Afroindígena (Ponto de Cultura Ofarere Cultural/Tijuquinha); Brownie e Café da Confeitaria Duquesa Festeira (Movimento de Mulheres Divas da Vida/Serrinha); Chopp Artesanal (Raízes do Brasil/MPA); e CEDAE (água gratuita para todo o evento).
O espaço das rodas de conversa e o cineclube trouxeram sempre debates com temas correlatos, simultâneos, com o público podendo participar de uma roda ou juntar rodas. Veja o álbum acima.
Rodas de Conversa
O 3º Festival Favela Sustentável reuniu 30 rodas de conversa, diálogos focados em soluções socioambientais, organizadas de forma temática, conduzidas por coletivos, organizações e aliados de favelas e periferias do Grande Rio e além. As rodas garantiram um espaço de trocas aprofundadas, aprendizado e construção coletiva com o público do evento.
Ana Tobossi, com sua iniciativa Mulherio Ancestral, nascida e criada na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, trouxe ao festival duas atividades: a exposição do Museu Social do Quilombo da Vila Cruzeiro e a roda de conversa Mulheres Negras por Justiça Climática. Ela falou sobre a importância do festival.
“Eu estou no terceiro ano consecutivo com a roda de conversa, e a nossa roda hoje foi Mulheres Negras por Justiça Climática. Para mim foi muito emocionante estar no terceiro ano com a roda cheia, a gente teve uma roda muito linda, muito potente, foi incrível. O que eu pensei muito durante todo esse dia é a potência desse festival do que consegue fazer com as nossas vozes, porque sozinho realmente fica muito difícil. Então, a gente tem o entendimento que nós somos potentes, enquanto mulher preta, favelada; a gente sabe que a gente desenvolve atividades em nossos territórios. Mas você chegar e olhar essa construção coletiva [toda], você ver outros territórios, outras favelas que juntas construíram essa lindeza [é incrível]. Esse festival é de extrema importância para ecoar as nossas vozes. Nós temos a plena certeza que nós somos territórios potentes e que juntos nós somos imbatíveis.” — Ana Tobossi

Iara Oliveira, coordenadora do Alfazendo/Eco Rede, da Cidade de Deus, realizou uma roda de conversa sobre o trabalho de mapeamento territorial realizado. Ela destaca a importância do encontro entre os coletivos que participam do festival.
“Nós viemos em todas as edições do festival. Fazemos parte da Rede Favela Sustentável [desde 2017]. Neste momento, é muito importante que os coletivos se encontrem e se fortaleçam. Aqui estão as ações sociais das favelas e periferias. Quem desenvolve os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS da ONU) são as favelas e periferias, e muitas vezes elas não são reconhecidas: nem é apresentado o que as favelas produzem. Estamos num momento complicado de mudança climática, e são as favelas e periferias que vão sofrer mais com ela e também com o racismo ambiental. Por isso, reunidos aqui no festival, a gente conhece e fortalece várias iniciativas. E neste momento de eleição, de mudança de paradigma, é preciso entender que os movimentos sociais precisam estar juntos para voltar aos seus territórios mais fortalecidos e continuar na luta pelos direitos sociais. Troca de conhecimento e fortalecimento ancestral: para mim, é isso que é o festival.” — Iara Oliveira
As rodas de conversa incluíram: Conversa de Vó na Cozinha (Cozinha Escola Social em Nova Campinas/Caxias); História e Horta da Esperança (Grupo Esperança/Juliano Moreira); Colcha de Retalhos: Com Quem Aprendi, de Onde Eu Vim (Educação de Jovens e Adultos de Territórios Vulnerabilizados/Fiocruz); Alimentação Consciente e Longevidade (Coletivo Raízes/Ramos); A Importância do Mapa Referencial Para o Desenvolvimento Socioambiental (Alfazendo Eco Rede/Cidade de Deus); Experiências de Educação Socioambiental Indígena em Favela (CESAC/Aldeia Maracanã); Escolas pela Justiça Climática (Coletivo Maré de Vida Verde/Maré); (in)Segurança Pública, (in)Segurança Alimentar e Impactos Socioambientais (CONSEA Rio); Teto Verde Favela (Parque Arará); Agenda Penha (Frente Penha/Complexo da Penha); Papo de Composteiros(as) (Fundação Angelica Goulart e Coletivo Composteiros(as)/Campo Grande); Favela na Produção de Dados Públicos (Banco do Preventório/Morro do Preventório, Niterói); Saber Popular e Acadêmico por Tecnologias de Gestão de Resíduos e Resiliência (Laboratório Social Horizonte Inclusivo/Parque Royal); O Que a Forma do Seu Território Revela? Um Laboratório Criativo Para Enxergar Oportunidades, Conflitos e Soluções Territoriais (Museu de Favela/Pavão-Pavãozinho e Cantagalo); Água, Meio Ambiente e Cidadania: Um Diálogo Sobre Sustentabilidade com a CEDAE; Oficina de Memória Afetiva (Coletivo Fala Akari/Acari); Antirracismo é Responsabilidade Social (Centro Humanitário Abebé de Ouro, CHAO/Maricá); Mulheres Negras por Justiça Climática (Frente Mulheres de Favelas Antirracistas, Ong Criola/Penha); A Circularidade em Territórios Ancestrais (Bangu); O Programa Minha Casa Minha Vida e o TTC: Como Potencializar a Política Habitacional no Brasil? (Projeto TTC); Oficina Mobilização de Recursos para Projetos (Instituto Casarão Cultural do Jardim Primavera, em Duque de Caxias); Do Que a Cidade Descarta, Nós Fazemos História: O Centro de Memória Socioambiental da Coopcarmo (As Carolinas de Jacutinga/Mesquita); Diálogo Socioambiental nos Territórios (Bióloga Maria Helena Silva); A Rota do Rio Doce de Mariana ao Mar: O Mesmo Rio (Pedala Queimados); Rios como Sujeitos de Direitos (Grupo de Estudos em Educação e Meio Ambiente do Rio de Janeiro/Praça Seca); A Água no Ano Eleitoral, Cadê? A Luta Pelo Direito à Água no Rio (Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde); Vozes da Bacia do Canal do Cunha (Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha/Cooperação Social Fiocruz); Roda de Conversa, Música e Literatura (Mabras Music & Arts/Cerro Corá); Gestão de Comunidades Digitais (Jornal Abaixo-Assinado de Jacarepaguá).

Cineclube
No cineclube do festival, um espaço de encontro entre o audiovisual e o debate, foram apresentados ao longo do dia, filmes e documentários produzidos por coletivos de favelas, seguidos de rodas de conversa sobre memória e território, além de palestras. As exibições valorizaram narrativas contadas a partir de quem vive nas favelas, fortalecendo a comunicação e cinema independente e popular como ferramenta de transformação.
No cineclube, foi realizado: a ‘Roda de Conversas Climáticas’ com a União dos Atingidos, que trouxe representantes desde a Vila Sahy, em São Sebastião (SP). Em seguida foram realizadas as atividades: mostra do filme ‘Bemvindo’, sobre Mestre Touro e Mestre Dentinho, da Penha, dirigido por Raphael Teixeira, e o documentário do Grupo de Capoeira Corda Bamba (Sociedade de Poetas Leopoldinenses/Complexo da Penha); ‘Agroecologia e Feminismo’ (Favela Cineclube/Morro do Pinto); ‘Lembranças: Rio das Pedras’ (Agência Lume); e a palestra ‘O Solo Vivo Como Base para Espaços de Luta e Resistência: Hortas Comunitárias e Escolares e Agricultura Familiar’ (Associação de Moradores de Guapiaçu/Cachoeiras de Macacu).
As oficinas e atividades de cura ofereceram oportunidades mão-na-massa de desenvolvimento e auto-cuidado. Veja o álbum acima.
Oficinas Manuais
Ao longo de todo o dia, o espaço de oficinas recebeu adultos e crianças numa programação que reuniu arte urbana, desenhos, pinturas, compostagem, culinária, resgate de histórias, criação de artesanatos, pinturas, molduras, biojoias, numa troca cheia de criatividade.

Leila Souza Netto, moradora de Pedra de Guaratiba, coordena há 26 anos a Coletiva Mulheres de Pedra, que desenvolve arte, culinária, cultura e artesanato no território. Ela fala sobre a trajetória do grupo e o significado de participar do festival.
“São mulheres que criam, cocriam, se descobrem, resistem, existem e se curam a partir da arte. É uma trajetória de fazer colchas de retalhos, de pintar, de bordar, de muitas coisas. Estar no 3º Festival Favela Sustentável é de uma potência muito grande, porque convivo com pessoas que estão juntas há mais de 20 anos. A gente iniciou essa trajetória junto com a ComCat, veio caminhando junto, e agora vem o festival e estamos todas juntas novamente.” — Leila Souza Netto
Próximo ao espaço de oficinas estava a praça montada para servir almoço para todos os participantes do festival, preparado com carinho pela cozinha do Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM).
Oficinas presentes no 3º Festival Favela Sustentável: Tranças que Florescem: Mulheres, Ancestralidade e Sustentabilidade (Mwana Angola/Gramacho); Recriando com Arte Sustentável (Coletivo Mulheres Dart); Brincando com as Palavras: Oficina de Leitura com Crianças (Lar dos Sonhos/Vila Cruzeiro); Jogando com o Território: Jogos Participativos de Educação Ambiental para Mudanças Climáticas em Maré e Manguinhos (PEAT/Museu da Vida/Fiocruz); Oficina Favela Art (Complexo do Alemão); Adereços de Carnaval Sustentável (GRES Mocidade Unida do Santa Marta); Exposição de Materiais Pedagógicos de Educação Socioambiental (Alfazendo/Eco Rede/Cidade de Deus); Comida de Uma Panela Só (Coletiva Mulheres de Pedra/Guaratiba); Oficina de Fogão Solar (Horta da Josefa/Complexo do Alemão); Oficina de Leites Vegetais (Vegcriações/São Gonçalo); Oficina com Tinta de Solo (Embrapa Solos); Colar do Guardião de Sementes (Sementes da Terra/Colônia Juliano Moreira); Oficina de Ecojoias (Dona Onça Eco Joias/Nova Iguaçu); Oficinas Ecoartísticas (Manguetalbr/Vargem Grande); Oficina de Criação de Joias Sustentáveis (MANAS/Vigário Geral); Plantio Mini-horta de Brotos (Raízes dos Prazeres, Horta dos Prazeres e Instituto Evolux/Morro dos Prazeres); Tetos Verdes e Mundo em Conexão (Sol em Conexões/Zona Oeste); Fabrique Brincos com Búzios (FAU e Feira Agroecológica da UERJ); Oficina de Arte Urbana com Tigo CNX (Coletivo Conexão Penetra/Penha); Oficina de Produção Sustentável (Museu de Favela/Pavão-Pavãozinho e Catagalo); Bordando a Prevenção da Tuberculose (Movimento de Mulheres de Apoio Humanitário/Vidigal); e Tecendo Nós e Contando Histórias (Lupa do Bem).

Espaço de Cura
Um espaço sempre muito especial no festival é dedicado às atividades de cura e autocuidado, contando com atividades e rodas sobre saúde física, emocional, mental e espiritual. Neste espaço aconteceram também atendimentos terapêuticos individuais e coletivos.
Zilda Soares, moradora de Acari, agente comunitária de saúde e integrante do Coletivo Fala Akari, além de realizar uma roda de conversa no dia, usufruiu do Espaço de Cura.
“O festival tem algo fundamental que é a coletividade. Nesse espaço da cura e nas rodas de conversa [sentimos essa conexão].” — Zilda Soares
O espaço de cura reuniu 18 atividades: Enraizar para Florescer: Yoga, Autocuidado e Som (Acredita Mulher/Providência); Autocuidado: Técnica de Redução de Estresse (Mulheres Cuidando Movimentando Territórios/Pedreira); Vivência de Escalda Pés com Ervas (Obra Social Filhos da Razão e Justiça/Mineiro); Atividade Física para Saúde (Coletivifit Atividade Física/Parque da Cidade); Ori Rere: Bori Sensorial (Instituto Terreiro Sustentável/Sepetiba); Técnica da NASA para Saúde Geral Muscular Orgânica, Sentando na Cadeira (Associação Galeria de Heróis/Furquim Mendes); Saúde Mental e Meditação na Favela (Coletivo de Educação Popular e Libertária/Parque da Cidade); Quem Cuida Se Cuida (Conexão Feminina/Bato); Terapia Ancestral e Cultural Cigana de Japeri (Movimento Cigano de Japeri); “Mata Atlântica que Cura”: Demonstrações de Fitoterapia e Biocosmética Natural (Associação Mulheres da Parada e Donas do Agro/Parada São Jorge, São Gonçalo); Arte Terapia: Confecção de Pomada Medicinal e Pasta para Dores (Marias em Ação/Vila Kennedy); Prevenção e Cuidado Sobre Câncer, Oficina de Tranças (Instituto de Desenvolvimento Marcia Greice); Projeto Trilhando Afrocuidado (Rede Makeda); Terapia AcuSphera Healing (Museu de Favela/Pavão-Pavãozinho e Cantagalo); Roda de Reflexão e Dinâmicas Sobre a Relação com a Natureza (Coletivo Banho de Floresta RJ); Apresentação de Músicas DJ Set (Lomaritaka Música Periférica/São Gonçalo); e Escrevivências Poéticas para Vida (Coletivo In-Put Ambiental).
O espaço expositivo trouxe nove exposições para visitação do público, inclusive uma intervenção artística sobre painel solar organizado pelo Revolusolar. Veja o álbum acima.
Exposições
O espaço expositivo trouxe reflexões de favelas para a visitação do público do 3º Festival Favela Sustentável. Foi possível visitar nove exposições e conversar com os moradores e idealizadores dos projetos, dentre elas: A Noite em Que Tudo Mudou (União dos Atingidos/Vila Sahy, São Sebastião/São Paulo), Memória Climática das Favelas (de 11 projetos de memória da própria Rede Favela Sustentável), Arpilleras: Bordando Resistência na Saúde Ambiental (MAB-Rio e Grupo Saúde, Ambiente e Saneamento da Fiocruz/ENSP), Memórias da Maré (Museu da Maré), Memória Não Se Remove (Museu das Remoções/Vila Autódromo), Ancestralidade que Sustenta o Mundo (Museu Social Quilombo Vila Cruzeiro/Penha), Mulheres de Pedra: 26 Anos Costurando Coletivamente (Coletiva Mulheres de Pedra/Pedra de Guaratiba), Revolusolar 10 Anos: Mostra de Artivismo sobre Impacto e Transformação pela Energia Solar (Revolusolar/Babilônia) e O Museu Somos Nós: 10 Anos da Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro (REMUS).

Cosme Vitor, militante dos movimentos populares dos atingidos, morador da cidade de São José dos Campos (SP), integrante da Associação de Favelas de São José dos Campos, junto à União dos Atingidos (Vila Sahy, São Sebastião/SP), apresentou um vídeo-documentário e roda de conversa no cineclube e uma exposição fotográfica, A Noite em Que Tudo Mudou, sobre a tragédia que atingiu o bairro Vila Sahy em fevereiro de 2023.
“Nós estamos nos aquilombando, nós estamos nos juntando, que é para nos próximos anos a gente [se] fortalecer para enfrentar as mudanças climáticas. Nesse momento, o que mais nos preocupa é a intensidade do El Nino e os governos negacionistas. Então, o que essa união significa, o encontro aqui? Para nós, da União dos Atingidos, [essa união e troca] é fundamental, porque, primeiro, a gente traz experiência do que nós já passamos, do que nós vamos passar. E segundo, encontrei com muitas pessoas ali que estão chorando pelas fotos, pois, amanhã, com os eventos climáticos extremos, pode ser eles. Então isso é muito impactante, é muito importante também a gente começar a discutir entre nós, a cidade que nós queremos, que comunidade nós queremos construir, e essa comunidade que nós queremos construir tem que ser uma união, tem que ser um intercâmbio.” — Cosme Vitor
*O 3º Festival Favela Sustentável: Favela no Centro das Soluções Territoriais foi realizado pela Rede Favela Sustentável com o apoio de doadores internacionais através da ComCat e em parceria com a Fundição Progresso, CEDAE, ONU Habitat, Grupo de Pesquisa Saúde Meio Ambiente e Saneamento (Fiocruz), Behner Stiefel Centro para Estudos Brasileiros da Universidade de San Diego, Local Futures, Habitat International Coalition, Climate Reality Project Brasil e Skoros.
Sobre a autora: Bárbara Dias, cria de Bangu, Zona Oeste do Rio, é fotojornalista e fotógrafa documental desde 2016, com foco em direitos humanos, justiça socioambiental, religiosidades e territórios de favela. Comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e graduanda em Jornalismo (UCAM), cofundou o Coletivo Fotoguerrilha (2016–2025). É licenciada em Biologia (UERJ), mestre em Educação Ambiental (IFRJ) e professora da rede pública estadual.
